O ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo oficializou o lançamento de sua pré-candidatura à Presidência da República pelo Partido Democracia Cristã (DC). O anúncio no dia 31 de janeiro marca o retorno de um dos nomes mais experientes da política nacional ao centro do debate eleitoral, agora por uma legenda de perfil conservador, após uma trajetória historicamente ligada à esquerda brasileira.
Aldo Rebelo construiu sua carreira política no campo progressista. Foi deputado federal por São Paulo em sucessivos mandatos pelo PCdoB, partido pelo qual também se projetou nacionalmente como liderança estudantil, ainda nos tempos da União Nacional dos Estudantes (UNE). Entre 2005 e 2007, presidiu a Câmara dos Deputados, período em que ganhou visibilidade por conduzir a Casa em um dos momentos mais turbulentos da política brasileira, durante o escândalo do mensalão.
Ao longo dos governos petistas, Aldo ocupou ministérios estratégicos. Foi ministro do Esporte, da Ciência e Tecnologia e, posteriormente, da Defesa, cargo que exerceu já no governo Dilma Rousseff. Em todas as funções, destacou-se por um discurso nacional-desenvolvimentista, com forte defesa da soberania, da indústria nacional e do papel do Estado na formulação de políticas estratégicas.
Nos últimos anos, no entanto, Aldo Rebelo passou por um processo de afastamento da esquerda tradicional. Desfiliou-se do PCdoB e passou por partidos como PSB, Solidariedade, PDT e MDB, assumindo uma postura cada vez mais crítica ao que classifica como “identitarismo” e a fragmentação do debate político em pautas setoriais. Esse movimento o aproximou de setores conservadores e da direita, especialmente em temas relacionados à soberania nacional, Forças Armadas, desenvolvimento econômico e crítica à polarização ideológica.
