Saidinha de Natal: 46 mil presos deixaram cadeias no fim do ano, e quase 2 mil não voltaram

Mário Flávio - 12.01.2026 às 20:51h

Mais de 46 mil presos foram liberados temporariamente das unidades prisionais brasileiras durante a saidinha de Natal de 2025, benefício concedido a detentos em regime semiaberto nos últimos dias do ano. Porém, o retorno às cadeias não foi total: cerca de 1,9 mil detentos — aproximadamente 4% do total — não se reapresentaram no prazo e agora são considerados foragidos, segundo levantamento divulgado por veículos de imprensa com base em dados oficiais de 15 estados e do Distrito Federal. 

O estudo considera informações enviadas pelas secretarias de administração penitenciária, embora Paraná e Rondônia não tenham informado quantos presos retornaram, e Minas Gerais não divulgou nem o número de liberados nem o de retornos. Além disso, o benefício da saidinha sequer é ofertado em oito unidades federativas: Acre, Alagoas, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. 

Entre os estados que forneceram dados completos, o Rio de Janeiro lidera proporcionalmente o índice de não retorno, com 14% dos liberados não voltando às cadeias — foram 1.868 detentos beneficiados e 269 foragidos, alguns ligados a facções criminosas e incluindo presos de alta periculosidade. 

Já São Paulo registrou o maior número absoluto de foragidos, com 1.131 detentos entre cerca de 29,2 mil liberados que não retornaram, representando também 4% do total no estado. Por outro lado, Tocantins foi o único a informar que todos os detentos beneficiados regressaram dentro do prazo estabelecido. 

O benefício, regulamentado pela Lei de Execução Penal, é voltado a presos que cumprem os requisitos legais — como bom comportamento e cumprimento de parte da pena — e não se aplica a crimes hediondos ou com grave ameaça à vida. A saidinha de fim de ano volta a ser tema de debates sobre ressocialização e segurança pública, especialmente em meio às discussões sobre sua manutenção ou restrições no sistema penal brasileiro.