
Uma reportagem exibida pelo programa Domingo Espetacular levantou questionamentos sobre uma suposta utilização da Polícia Civil de Pernambuco para investigar opositores políticos ligados ao prefeito do Recife, João Campos (PSB). A matéria aponta que as apurações teriam como pano de fundo disputas políticas no Estado, envolvendo nomes próximos ao chefe do Executivo municipal.
Segundo a reportagem, o foco das investigações foi Gustavo Monteiro (foto), considerado um dos amigos mais próximos de João Campos e nomeado, em janeiro de 2024, para a Secretaria de Articulação Política e Social do Recife. A matéria destaca ainda que Gustavo Monteiro e membros de sua família — o pai, Henrique Monteiro, e três irmãos — mantêm atuação em gestões do PSB desde o período em que Eduardo Campos governou Pernambuco.
O programa também chama atenção para a participação de Gustavo Monteiro na empresa Sítio Pedra da Onça Ltda., criada em 25 de janeiro de 2024. A sociedade reúne, além dele, outros quatro aliados próximos do prefeito. A empresa tem como atividades principais a compra e venda de imóveis, criação de bovinos para corte, criação de equinos, produção de sêmen e atuação em loteamentos imobiliários.
Diante da repercussão, a Polícia Civil de Pernambuco divulgou nota oficial afirmando que todas as ações ocorreram dentro da legalidade. Segundo a corporação, foi recebida uma denúncia anônima grave, relatando o possível uso de um veículo por um servidor público do município do Recife para recebimento de propina. A polícia ressaltou que, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), denúncias anônimas não autorizam a abertura imediata de inquérito policial, servindo apenas como ponto inicial para diligências preliminares.
Ainda de acordo com a nota, essas diligências se limitaram à verificação da movimentação do veículo citado, com o objetivo de apurar a procedência ou não da denúncia. A Polícia Civil afirma que todas as etapas seguiram os trâmites legais, sem violação de privacidade ou exposição indevida dos envolvidos.