Reportagem levanta suspeita de uso político da Polícia Civil em Pernambuco; corporação nega irregularidades

Mário Flávio - 26.01.2026 às 10:33h

Uma reportagem exibida pelo programa Domingo Espetacular levantou questionamentos sobre uma suposta utilização da Polícia Civil de Pernambuco para investigar opositores políticos ligados ao prefeito do Recife, João Campos (PSB). A matéria aponta que as apurações teriam como pano de fundo disputas políticas no Estado, envolvendo nomes próximos ao chefe do Executivo municipal.

Segundo a reportagem, o foco das investigações foi Gustavo Monteiro (foto), considerado um dos amigos mais próximos de João Campos e nomeado, em janeiro de 2024, para a Secretaria de Articulação Política e Social do Recife. A matéria destaca ainda que Gustavo Monteiro e membros de sua família — o pai, Henrique Monteiro, e três irmãos — mantêm atuação em gestões do PSB desde o período em que Eduardo Campos governou Pernambuco.

O programa também chama atenção para a participação de Gustavo Monteiro na empresa Sítio Pedra da Onça Ltda., criada em 25 de janeiro de 2024. A sociedade reúne, além dele, outros quatro aliados próximos do prefeito. A empresa tem como atividades principais a compra e venda de imóveis, criação de bovinos para corte, criação de equinos, produção de sêmen e atuação em loteamentos imobiliários.

Diante da repercussão, a Polícia Civil de Pernambuco divulgou nota oficial afirmando que todas as ações ocorreram dentro da legalidade. Segundo a corporação, foi recebida uma denúncia anônima grave, relatando o possível uso de um veículo por um servidor público do município do Recife para recebimento de propina. A polícia ressaltou que, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), denúncias anônimas não autorizam a abertura imediata de inquérito policial, servindo apenas como ponto inicial para diligências preliminares.

Ainda de acordo com a nota, essas diligências se limitaram à verificação da movimentação do veículo citado, com o objetivo de apurar a procedência ou não da denúncia. A Polícia Civil afirma que todas as etapas seguiram os trâmites legais, sem violação de privacidade ou exposição indevida dos envolvidos.