As declarações do senador Humberto Costa (PT) na noite desta sexta-feira (13) reforçaram um cenário que já vinha sendo desenhado nos bastidores da política pernambucana: a possibilidade de o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) ocupar a segunda vaga ao Senado na chapa liderada pelo prefeito do Recife, João Campos (PSB), na disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026.
Durante a filiação da deputada estadual Dani Portela ao PT, o senador petista defendeu que a composição majoritária do grupo tenha um nome ligado ao campo do centro político. A fala foi interpretada por aliados e observadores como um sinal claro de que o PT não quer as duas vagas ao Senado no campo da esquerda na chapa do socialista, abrindo espaço para um aliado de outro espectro partidário — cenário que favorece diretamente o deputado progressista. Com isso, praticamente rifando Marília Arraes da disputa nesse cargo. Ela vai se filiar ao PDT nos próximos dias.
A avaliação ganha ainda mais força diante das movimentações recentes entre as duas lideranças. Nos bastidores, Humberto Costa já tem sido tratado como o nome praticamente certo para uma das vagas ao Senado na chapa de João Campos, enquanto Eduardo da Fonte desponta como o principal nome de um partido de centro capaz de agregar estrutura política, tempo de televisão e capilaridade eleitoral ao projeto do PSB. 
Além do discurso público, fontes ligadas ao próprio deputado federal indicam que a decisão política já estaria tomada. Segundo um interlocutor próximo de Eduardo da Fonte, o parlamentar teria comunicado a aliados que deve mesmo integrar o palanque do socialista na disputa estadual, movimento que deverá ser oficializado nos próximos dias, caso as negociações avancem como esperado.
Outro sinal relevante dessa possível aproximação foi a recente filiação da delegada Gleide Ângelo ao Partido Progressistas. A parlamentar deixou o PSB e passou a integrar as fileiras do PP, legenda comandada em Pernambuco por Eduardo da Fonte. Nos bastidores, o movimento foi interpretado como parte de uma reorganização política que fortalece o partido dentro do campo aliado a João Campos.
Na prática, a eventual entrada de Eduardo da Fonte na chapa majoritária representaria uma tentativa de ampliar o arco de alianças do projeto socialista. Enquanto Humberto Costa garante a ligação direta com o campo da esquerda e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presença do deputado progressista abriria espaço para o diálogo com partidos de centro e com setores mais amplos do eleitorado pernambucano, principalmente os evangélicos, muito ligados a Da Fonte.
Se confirmada, a composição também indicaria uma estratégia clássica de equilíbrio político: unir esquerda e centro em uma mesma chapa para ampliar competitividade eleitoral e consolidar um palanque robusto para a disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.
Assim, embora ainda não haja anúncio oficial, as declarações de Humberto Costa e as movimentações recentes nos bastidores apontam que a chapa de João Campos começa a ganhar contornos cada vez mais definidos — e que o nome de Eduardo da Fonte surge, neste momento, como o favorito para ocupar a segunda vaga ao Senado. A conferir.
