O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, em carta ao brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, a imposição de uma tarifa de 50% sobre todas as importações provenientes do Brasil, que entrará em vigor em 1º de agosto de 2025. A medida, segundo Trump, é uma resposta ao processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e supostas práticas de “censura” promovidas pelo STF contra plataformas de tecnologia americanas .
O presidente Lula reagiu afirmando que o Brasil responderá “à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica” (Lei nº 15.122/2025), aprovada em abril, permitindo retaliações a tarifas unilaterais sobre produtos nacionais.
Em nota pública, Lula destacou que “qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida” conforme a legislação brasileira. Além disso, afirmou que a Justiça brasileira é soberana no julgamento dos acusados do “plano de golpe de Estado” de 8 de janeiro – o que, segundo ele, impede ingerência externa nesse processo.
Lula contestou também a justificativa econômica de Trump, ressaltando que os EUA registram superávit de cerca de US$ 410 bilhões em comércio com o Brasil nos últimos 15 anos, segundo dados do governo americano, o que desmente a alegação de desequilíbrio comercial.
O presidente classificou a postura dos EUA como tentativa de tutelar o Brasil, defendendo que “o país não aceitará ser tutelado por ninguém” e que instituições nacionais, como o STF e as plataformas digitais, operam conforme a legislação e valores democráticos do país.
O que está em jogo
• A tarifa de 50% ameaça setores como agropecuária (café, carne, suco de laranja), indústria e tecnologia, com risco de pressões inflacionárias internas.
• O Brasil tem respaldo legal para retaliação recíproca, incluindo aumento de impostos sobre importações americanas ou abandono de concessões comerciais.
• Há receio de que a medida, além de afetar o comércio, busque influenciar o sistema judicial brasileiro, pressionando a suspensão do processo contra Bolsonaro.
